Sou da minha terra

Muita falta me fazia já o silêncio. Lembro com saudade outros tempos, em que me deixava fluir a cada sopro, mergulhando mais e mais nos meus pensamentos, no silêncio e na calma de mim.

Hoje, aqui estou de novo, e continuo ainda em casa. Se há mesmo uma aura que nos rodeia, a minha tem a forma destes espaços e é neles que se encaixa. Aqui, o tempo morto é de reencontro, não de saudade. Estou em paz, e não em ânsias de ir.

Páro. Faço questão de ouvir este silêncio. As janelas estalam, às vezes a madeira do tecto. Hoje faz vento, e a porta bate ao de leve de vez em quando, como se alguém estivesse experimentando a porta para entrar de mansinho. São os meus demónios, que aqui não entram, neste espaço em que me sinto em mim, segura em mim.

Onde em tempos vi e senti uma prisão, sinto agora um desejo de enraizar, como árvore de fruto que busca água para poder brotar.

Sou daqui. E não posso nunca vir a ser de outro lado, porque é só aqui que o meu suspiro me enche o peito. É só aqui que o meu andar é livre. Que o meu coração bate ao seu natural compasso.

A minha casa. A minha terra. Tão longe precisei ir para saber que sou da minha terra. A vista da minha janela é a tela sobre a qual tenho vindo a pintar todo o resto da minha vida. As estrelas do céu que cobre a minha varanda são as que guiam o meu astrolábio. E estou assim, para sempre, ligada a este lugar. É aqui a minha casa. É aqui a minha terra.

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