13 de Agosto de 2017

Sempre quis acreditar que o meu trabalho me iria levar a ver o Mundo. Encontro-me hoje aqui: com esse trabalho, e numa parte do Mundo que nunca tinha visto. Ainda que marulhe o mar na distância do negro céu estrelado, nada é mágico. Não quero estar aqui, e não posso esperar por ir-me embora. Não sinto o formigueiro entusiástico no cérebro, nem as borboletas na barriga da inspiração. Só quero ir para casa. Só queria ter escolhido ficar com ele. Acreditei, e acredito ainda, que precisava vir. Que valia a pena vir. Mas nem isso me faz querer ficar. O que quero, agora, é que não tivesse escolhido passar este dia longe.

Cada vez me convenço mais de que não há escolhas certas ou erradas. Há, simplesmente, escolhas que fazemos, e é com as consequências das mesmas que teremos de aprender a viver. Aos vinte e cinco anos de idade continuo a morrer de medo das consequências das minhas escolhas. Aterrorizam-me os piores cenários e petrifica-me a possibilidade de as minhas escolhas magoarem alguém. Vivo numa incessante luta entre o que acho melhor para mim e o que sinto que seja melhor para os outros. Assolam-me constantemente sentimentos de não saber guiar esta geringonça que é a vida que me deram, de não saber fazer esta coisa que é amar, de não saber encontrar isso a que chamam equilíbrio… de não ser suficiente e de não merecer nada nem ninguém. Não seria tão mais fácil se tudo se findasse, num suspiro? Se se acabasse a infindável luta, se pudesse finalmente baixar os braços, e descansar… se eu pudesse, com certeza, saber que as minhas decisões não seriam de consequência. Não seria tão lindo?

No fundo, o que peço é leveza. De espírito, da mente, do peito… Sentir-me leve. Porque me dói já esta cruz que pareço carregar sempre por escolha minha, esta luta, perdida à partida, para ser mais e melhor, este constante desatino na busca de uma paz que nunca chega. Estou a fazer tudo mal. Mas não sei outra forma de o fazer, sem ser fazendo, e fazendo sempre mais, tentando, caminhando, estrebuchando, sem cessar. Mas falham-me já as forças e já não sei de onde as ganho. Não sei mais o que me alimenta. Serás tu? E se o que escolho me faz perder-te? Irás embora?

Apercebo-me, enquanto escrevo, que estou onde estava há anos atrás. Tanto mudou, e tanto continua o mesmo… Perdida. Como se perde alguém que vive a vida traçando um caminho? Porque é que nunca me encontro? Pergunto-me muitas vezes o que as outras pessoas veêm em mim. Pergunto-me ainda mais, meu amor, o que vês tu em mim, e porque é que disseste que sim, naquele dia há exactamente um ano atrás. Não sei se veêm o que eu sinto. Não sei se veêm a confusão, o medo, a frustração, a dúvida, o terror, o desespero… Não.

Nestes dias confusos de interior comoção de mim comigo mesma, saem-me assim as palavras – sem nexo. Divago. Perde-se a poesia no expurgar dos meus demónios, que das entranhas arranco e regurgito para um papel. Fica o perigo de se agarrarem os meus venenosos fantasmas a estas palavras, assombrando para sempre a minha existência. Talvez devesse engoli-los, de um trago, assumindo-os como parte de mim e silenciando-os para sempre.

Por hoje, durmo só. Envolta no frio do meu próprio abraço e chorando as minhas escolhas.

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